Pequena, mas bela

Só porque Curitiba ficou pequena não quer dizer que ela perdeu o encanto.

Continua linda! Com suas linhas e contrastes. Com suas feirinhas de inverno cheias de pinhão,  quentão e cachecóis.

Hoje andei pelo centro da cidade olhando tudo com outros olhos. Uma turista em sua própria terra.

Sabe do que eu mais sentia falta quando morava em Goiás?

Das Araucárias. Lindas, fortes, grandes e imponentes. Adoro saber que são esses pinheiros a simbologia do meu lar.

Deve haver uma versão curitibana da Canção do Exílio em algum lugar.

Algo como: “Minha terra tem Araucárias onde canta a Gralha Azul.”

O incrível é que mesmo amando Curitiba, estou louca pra voltar a São Paulo.

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Terra natal

Curitiba era muito grande há alguns anos. Eram tantos lugares, tantas direções, tantas pessoas.

Agora ela parece pequena. Quando olho para tudo tenho a sensação de que a cidade mudou. É como se não houvesse muito a desvendar por aqui. A grandeza da cidade não me assusta mais.

Logo percebo que a Curitiba que eu conhecia continua a mesma. Fui eu quem mudou. Quando você sai da sua cidade natal, seja um vilarejo no interior ou uma grande capital, você descobre que existe vida além dos limites que você conhecia.Aí vem a vontade ganhar o mundo, de descobrir mais e mais.

E aquele lugar onde você nasceu e cresceu, que parecia abrigar o mundo dentro dele, se torna uma bonita lembrança. Tão pequena perto do que há pela frente, que cabe bem na sua memória e no seu coração.


O conforto

O tempo passa devagar quando levamos uma pancada da vida.

Passa em câmera bem lenta e vai rasgando, despedaçando o coração e a alma.

É como aquelas cenas de CSI, um seriado de investigação policial, em que a bala passa pelo corpo da vítima e vai dilacerando cada órgão, esparramando sangue por cada ponto do ambiente, entrando e se alojando até causar a morte.

Assim é a dor da perda amorosa nas primeiras semanas. Dizem que passa. E eu acredito nisso. Porque se essa dor não passar, meu amigo, então nada mais é passageiro nessa vida!

No início vem a confusão. Confusão de sentimentos, de decisões, de passado, presente e futuro. Tudo se mistura como se nossa cabeça fosse feita de novelos de lã entrelaçados por um gato muito espoleta.

Parece que nunca mais alguém vai conseguir desfazer esse emaranhado de cores, texturas e emoções.

Depois as forças para desenrolar tudo vão chegando aos poucos. E você começa, uma cor de cada vez, primeiro um nó e depois o outro. Não dá pra ficar olhando para o tamanho do rolo, o melhor é ir devagar.

Ainda não sei se vou desfazer o rolo ou vou apenas deixar diferente, não cheguei nessa parte.

Mas posso dizer uma coisa: passa, sempre passa. Porque se não passasse eu juro que teria morrido de amor. Se a dor do primeiro dia continuasse igual, eu não teria resistido.

Passa. Um pouquinho a cada dia, a conta-gotas, mas passa.