O conforto

O tempo passa devagar quando levamos uma pancada da vida.

Passa em câmera bem lenta e vai rasgando, despedaçando o coração e a alma.

É como aquelas cenas de CSI, um seriado de investigação policial, em que a bala passa pelo corpo da vítima e vai dilacerando cada órgão, esparramando sangue por cada ponto do ambiente, entrando e se alojando até causar a morte.

Assim é a dor da perda amorosa nas primeiras semanas. Dizem que passa. E eu acredito nisso. Porque se essa dor não passar, meu amigo, então nada mais é passageiro nessa vida!

No início vem a confusão. Confusão de sentimentos, de decisões, de passado, presente e futuro. Tudo se mistura como se nossa cabeça fosse feita de novelos de lã entrelaçados por um gato muito espoleta.

Parece que nunca mais alguém vai conseguir desfazer esse emaranhado de cores, texturas e emoções.

Depois as forças para desenrolar tudo vão chegando aos poucos. E você começa, uma cor de cada vez, primeiro um nó e depois o outro. Não dá pra ficar olhando para o tamanho do rolo, o melhor é ir devagar.

Ainda não sei se vou desfazer o rolo ou vou apenas deixar diferente, não cheguei nessa parte.

Mas posso dizer uma coisa: passa, sempre passa. Porque se não passasse eu juro que teria morrido de amor. Se a dor do primeiro dia continuasse igual, eu não teria resistido.

Passa. Um pouquinho a cada dia, a conta-gotas, mas passa.

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