O fim

Meus pés tocaram o nada naquele momento. Eu flutuava, mas não era para o alto, era para o abismo. Não havia chão abaixo de mim, eu estava em queda e não percebia. Não entendia que aquele era o momento do fim. Ou não queria entender.

Suas palavras iam entrando em meus ouvidos como estacas e perfuravam meus tímpanos. “Nosso relacionamento não tem futuro”, “Estamos juntos, mas não estamos”, “Não vejo a gente junto para sempre”. Era tanta dor que eu estava anestesiada. Uma tontura tomou conta de mim. Você estava causando um efeito alucinógeno. Eu não controlava meus sentidos. Só tinha a sensação de que tudo estava desmoronando à minha volta. Eu não tinha mais alicerce. Assim foi o fim.

Mas eu não podia aceitar. Meu cérebro ignorava o significado de suas palavras mesmo sabendo que meu coração já sangrava em pedaços.

Eu repetia: “Mas e se…”, “Mas como?”, “Mas por quê?”. E tantos “mas” não me davam explicação alguma. Como eu nunca tinha visto isso? Como eu não percebi que há anos você deixava de me amar? Ou que você nunca me amou? Como eu pude ser tão cega e não perceber que aquele vazio em minha vida também era seu? O ensaio de amor que havia era muito pouco. Transformou-se em uma corrente enferrujada do navio naufragado em que estávamos nos afogando.

Naquele dia você pegava seu bote salva-vidas enquanto eu afundava com o navio. O navio do nosso relacionamento. Um barco velho, com uma pintura nova por fora, mas cheio de vãos podres e decadentes por dentro.

Um dia ia afundar mesmo. Ou com nós dois, ou com um de nós. Afundou comigo.

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