A dor

Saí daquele apartamento turvo. Correndo, fugindo, nadando. Eu vagava no fundo do oceano, com os pulmões tomados pela dor que suas palavras me causaram. Como um cadáver eu rolava na arrebentação. Mas não estava perto da areia, estava em alto mar. Precisava pensar no que fazer com toda aquela água que me impedia de respirar. Mas eu não tinha forças. Não sabia como reagir, não podia mexer os braços e as pernas para emergir. Não sabia como nadar no mar do fim de um relacionamento. Talvez ninguém saiba, porque cada fim é diferente. E aquele fim em particular tapava minhas narinas e preenchia as vias respiratórias. Essa era a sensação. De não respirar, de me afogar, de engolir aquela água toda de dor. Lembrava gosto de sangue. Lembrava gosto de morte. Eu sentia a morte chegar, era óbvio. Se eu estava afogada, solta e não sabia nadar, a morte era meu único destino.

Mas a morte parecia zombar de mim. Olhava-me do alto e não me levava. Só observava meu lento sofrimento e ria.

Era assim que eu me sentia, como se estivesse morrendo. Uma dor que apertava o coração até quase esmagá-lo, mas o deixava vivo, para que fosse sentida com uma intensidade sem fim. Eu me sentia perdida nas profundezas de um universo paralelo, implorando para morrer, ou simplesmente dormir. Aquela dor não ia passar, ia me destruir. “Me leve daqui Dona Morte. Por que me deixa sofrer assim? Me leve de uma vez porque se essa dor que sinto não é a morte, então não sei o que pode ser pior”.

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