O tempo demora

Essa é a constatação mais difícil que eu tive: como o tempo demora.

É como se ele não passasse, apenas fingisse. Esse tempo dissimulado me deixa aprisionada no primeiro dia em que me vi sem você. Fico vagando pela dor que deveria estar distante, mas me persegue como o metal é atraído pelo imã.

Quando eu penso que estou quase curada, quando acho que tenho lembrado pouco de você, ou pelo menos da sua parte boa, vem outra onda de sofrer. Vem um e-mail, chegam correspondências, chegam pendências.

Pro inferno com suas pendências!

Por que você simplesmente não joga tudo fora, como jogou meu amor por você? Foi tão fácil mandar para o lixo a vida que eu dediquei ao nosso amor, não foi? Por que agora é difícil jogar fora cartas de banco que chegam ao teu endereço, que um dia já foi meu?

Tenho vontade de responder: apague meu e-mail, não me procure mais, não me ligue, não pergunte, nunca mais. Deixe-me em paz para todo o sempre, senão eu não consigo. Mas também não consigo assumir a responsabilidade de te afastar de mim. Porque esse é todo o motivo da minha dor: a esperança silenciosa que está acesa como uma brasa anêmica no fundo da minha alma. Enquanto essa brasa não se apagar, meu coração nunca vai deixar de queimar.

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