Não devemos nos decepcionar com as pessoas. Devemos nos decepcionar com nós mesmos por não enxergar o que estava tão claro e não quisemos ver.
Os valores de todos estão aí, implícitos em cada atitude, em cada palavra. Basta olhar com atenção e decidir se combinam com os nossos ou não.

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Sobre o jornalismo II

O papel do jornalista na sociedade é ser o jurado que contesta os fatos, que analisa criteriosamente as primeiras impressões e levanta a dúvida. Por isso a escolha da peça Doze homens e uma sentença para abrir o seminário foi tão acertiva.

O jornalista é, ou deve ser, por natureza, um questionador. Ele levanta uma dúvida razoável sobre os gastos do governo, sobre as provas de um crime, sobre a idoneidade de uma empresa ou de uma campanha política, sobre o sistema de saúde pública. Levanta dúvidas e vai atrás de respostas para construir a matéria, ou levanta dúvidas sobre uma matéria pronta e corrige as incertezas.

Mas será que é assim no Brasil? Será que nós jornalistas duvidamos das declarações que nos são oferecidas feito pastel de feira por políticos, autoridades, especialistas? Nosso papel é duvidar e não engolir o que vem pronto das assessorias de imprensa, como cães que aceitam restos de comida.

É certo que, como Dines colocou em sua palestra, a imprensa brasileira é tardia. O primeiro jornal impresso surgiu em terras tupiniquins 308 anos depois do descobrimento. Nos EUA, bem como em outros países, a imprensa tem muito mais experiência, maturidade e distribuição. O jornalismo regional por exemplo, que poderia ser um forte instrumento para levantar dúvidas, ainda é muito fraco em nosso país. Os jornais americanos do interior são tão fortes em suas regiões quanto os grandes veículos das capitais. As cidades retratadas nos velhos filmes de faroeste tinham sempre o Saloon, a delegacia e o jornal. Frequentemente um dos personagens era um jornalista que desvendava os crimes que a polícia não resolvia.

Muita coisa ainda precisa mudar no Brasil. Muitos processos preciso evoluir e isso leva tempo. Talvez algumas gerações…

Nem por isso devemos usar a história como desculpa. É importante plantar a semente da dúvida agora, mesmo que ela demore séculos para florescer e que todos ainda duvidem.


Sobre o jornalismo

Há algum tempo que eu não refletia sobre o jornalismo. Talvez por minha situação de freelancer, talvez por minha desilusão com o mercado, não sei ao certo. O fato é que um jornalista, atuante ou não, nunca deve deixar de refletir sobre sua profissão. Fui levada à reflexão por um seminário promovido pelo Banco do Brasil (quem diria, há poucos dias eu pretendia jogar uma bomba na minha agência!).

O seminário começou com uma peça de teatro. Mas não era uma encenação amadora e entendiante, muito menos entretenimento puro e simples. A peça Doze homens e uma sentença é uma adaptação do clássico filme homônimo (no original 12 Angry Men), que já teve duas versões, uma em 1957, outra em 1997. O clássico americano encenado no palco está em cartaz em São Paulo e eu tive o privilégio de assistir. Já tinha visto uma parte do filme e notei que foi revivido com brilhantismo pelo elenco brasileiro.

A história é sobre a discussão de um corpo de jurados formado por 12 homens. Eles se reúnem para discutir se um jovem de 16 anos, acusado de matar o pai como um faca cravada no peito é culpado ou inocente. A peça toda se passa dentro da sala de júri. Na primeira votação apenas um jurado acredita na inocência do garoto. Ele não tem certeza e é essa a questão: a dúvida razoável. Dúvida razoável é um termo jurídico. Um réu só pode ser condenado, e no caso da peça, levado à cadeira elétrica, se não houver nenhuma dúvida sobre sua culpa. Se houver dúvida ele deve ser inocentado.

Ocorre que à primeira vista todos os fatos levam a crer que o jovem é culpado. Mas uma análise mais cuidadosa, sem julgamentos preconceituosos. levanta dúvidas razoáveis. Um jurado tem pela frente a missão de convencer outros 11 homens de que talvez o réu seja inocente. Não vou contar o fim porque vale a pena assitir ao filme.

Pensei sobre o motivo da escolha daquela peça para um encontro entre jornalistas. Minha dúvida foi logo respondida pelo brilhante jornalista, escritor e professor Alberto Dines. A conclusão de Dines fica para o post de amanhã!


Passageiro

A dor passa. O tempo passa. Novidades vêm. A paz chega.

E como tudo na vida é passageiro…

A paz vai embora.

A dor recomeça.

O tempo pára.

O amor volta.

Que bom!