Experimentar

Muito mais do que aprender outra língua e vivenciar outra cultura, um intercâmbio é um aprendizado sobre nós mesmos. Em nosso país não temos tantas chances de ficar em nossa própria companhia por tanto tempo. Principalmente nos primeiros dias. E ainda, descobrir como somos capazes de reinventar novas maneiras de fazer as coisas mais triviais, como cozinhar, fazer compras, dormir, tomar banho.
Em outro continente podemos confrontar todas as nossas experiências e a nossa força, percebendo como está nossa capacidade de adaptação. Ninguém fala sua língua, ninguém entende sua língua. No supermercado os produtos são ininteligíveis e as primeiras compras são um teste de resistência e paciência. As portas são diferentes, as janelas são diferentes, o fogão é diferente, a rotina é outra. Até mesmo usar o transporte público pode ser uma aventura, já que o motorista não entende pra onde você quer ir (às vezes nem você sabe).
Os momentos de solidão, quando não há nem um familiar na internet, nem um brasileiro por perto, nem um estrangeiro com um sotaque mais leve, são os mais importantes. É nessa hora que temos a chance de escolher qual vai ser nossa atitude durante as intempéries que virão. Pode ser encarar logo que a vida mudou e precisamos mudar também ou pode ser desistir das mudanças e se forçar a viver esperando o momento de voltar de casa.
A escolha não é fácil, mas é necessária, afinal será um ano aqui. 365 dias provando que gosto têm essas novas sensações ou 365 dias observando o tempo passar.
Eu já comecei a provar. Provei o sabor do café, o sabor do chocolate, de cozinhar com ingredientes diferentes (de cozinhar simplesmente…) de falar, ou tentar falar, uma nova língua, de fazer amigos apenas por mímica…
Posso dizer que gosto do que vejo. Gosto de como me vejo. E pretendo me descobrir a cada dia, a cada chuva, a cada vento, a cada palavra nova, dita ou não dita.

 

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3 Comentários on “Experimentar”

  1. Laylon Viana disse:

    É necessário sair da zona de conforto , muitas pessoas saem de casa mais se mudam para perto dos seus parentes , dessa forma elas “nunca” saíram de casa . Eu quero vivenciar novas experiências , quero conhecer outra cultura , línguas , pessoas , quero poder sentir e poder preencher esse vazio que mais parece um chamado de ” preciso me completar e buscar minha felicidade” . O pior de todos os sentimentos na minha opinião é você não se sentir em casa no seu próprio pais , eu sempre tiive uma vontade gigantesca de sair por aí , viajar , viver um pouco tudo que Deus nos deu , afinal esse mundo nos pertence . Entretanto não sou tão bobo ao ponto de achar que tudo são flores e rosas e como você mesma disse , novos desafios são importantes para testarmos o quão somos fortes , talvez a felicidade seja apenas uma busca não é verdade ? mas temos que ir atrás dela onde quer que ela esteja .

  2. […] anos imersa em uma cultura diferente. Dois anos reaprendendo a viver. Dois anos vivendo em imenso desapego. Desapego de pessoas, de bens materiais, de julgamentos. Dois […]

  3. […] anos imersa em uma cultura diferente. Dois anos reaprendendo a viver. Dois anos vivendo em imenso desapego. Desapego de pessoas, de bens materiais, de julgamentos. Dois […]


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