A hora do rush

Semana passada, às seis horas da tarde, eu andava pelo centro de Dublin com pressa, como há muito tempo não fazia desde que decidi viajar. Aquela pressa da rotina, sabe, de sair rápido do trabalho, passar no mercado comprar uma besteira qualquer para o jantar, de chegar em casa e encerrar o dia logo. Vi-me parte do movimento frenético da multidão. Apesar de ter pouco mais de 500 mil habitantes, excluindo a região metropolitana, o centro da cidade é tomado por um ritmo alucinante já a partir das cinco da tarde. Pessoas vão e vêm, apressadas, conversando em diferentes idiomas, já que Dublin recebe imigrantes de inúmeros países.

Foi aí que tudo parou, como num roteiro de cinema, quando a cena entra em destaque: os carros no congestionamento, buzinando, a escuridão do cair da noite, os passos ligeiros, o barulho… E eu me dei conta de como sinto falta disso tudo! Como me falta um congestionamentozinho de fim de tarde… Sei que a essa altura muita gente deve estar imaginando que o intercâmbio me deixou pinel! Mas é a mais pura verdade: eu sou urbana. Sou da poluição, sou do rush, sou da vida louca! Sinto falta da rotina de uma metrópole. Preciso das luzes da cidade grande para me sentir viva.

Moro num bairro afastado do centro. Para uma cidade como Dublin, considera-se 15 minutos de ônibus relativamente afastado. A região é totalmente residencial, mas suficientemente abastecida com supermercados, farmácias e pequenas lojas. A escola é perto de casa, então não preciso ir até o centro da cidade toda semana. Tenho tudo o que preciso aqui. E essa tranquilidade acarreta um certo clima de interior, com direito a vizinhos nos jardins dizendo bom dia!

Definitivamente, sossego não foi feito para mim. Pelo menos não por mais de três semanas. Por isso foi bom lembrar que o centro da cidade está logo ali, e que ainda tenho muito o que desvendar por lá.
Naquele dia eu me juntei à multidão mais por luxo do que por necessidade. Estava apenas saindo de um trabalho voluntário, era uma estudante fingindo ser gente grande. Senti falta de ser mais útil. De ter aquela estafante rotina de que tantas vezes reclamei. Tudo bem, talvez eu sinta falta do congestionamento porque nunca tive carro, mas aprendi mais uma lição: rotina, trabalho e cansaço fazem bem à alma, fazem parte do pacote. E quer coisa melhor do que falar disso bem no aniversário de São Paulo, um dos maiores exemplos de vida louca e cidade grande? Não adianta, sou mesmo apaixonada pela selva de pedras!

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4 Comentários on “A hora do rush”

  1. Carol Hevia disse:

    Nossa, entendo MUITO o que você quis dizer de se sentir útil e tudo mais. Quando cheguei aqui, fiquei quase 3 meses sem trabalhar e ficava me sentindo mega esquisita por não estar cansada na hora de dormir, sem aquele cansaço de “missão cumprida” do fim do dia.
    Mas fica tranquila que logo você vai conquistar sua rotina aqui, o que vai mais ainda te fazer sentir parte da cidade.
    Sempre dou uma olhadinha aqui no blog, adoro o jeito que você escreve! 🙂

    Beijosss

  2. elainenunes disse:

    Obrigada pela visita Carol! Que bom que você gosta… seja sempre bem-vinda!
    É muito estranho mesmo ser estudante! rs…
    Mas eu arrumei emprego, começo essa semana! Então provavelmente vou sentir a estafante rotina outra vez! Yuuupi! rs
    Aí escrevo sobre ela! hehehe…
    Beijão

  3. […] também posso dizer que estou adaptada e quase faço parte da vida normal. Já tenho rotina, horários (na medida do possível para uma jornalista), salário e quase tenho vida […]

  4. […] também posso dizer que estou adaptada e quase faço parte da vida normal. Já tenho rotina, horários (na medida do possível para uma jornalista), salário e quase tenho vida […]


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