E de repente… 30.

“Quando você chega aos trinta, pensa que foi rápido demais. Mas os 40 vão chegar antes que você perceba, e há quem diga que até os 50 você mal tem tempo de piscar os olhos. Por isso não perca seu tempo chorando, brigando, discutindo. Acredite: a vida passa como um sopro.”

Esse foi o conselho que recebi de um brasileiro de 38 anos que conheci aqui. Percebi que a cada vez que ouço esse tipo de observação minha reflexão é diferente. Não, não estou em crise, até porque minha crise dos 30 começou aos 28 e acabou algumas semanas atrás! Foi só uma reflexão mesmo.

Levando em conta que a expectativa média de vida de um brasileiros gira hoje em torno de 73 anos, 30 é quase metade disso. É metade da vida. Metade do tempo que eu tinha nesse plano já foi. Bye, bye. Já era. Não volta mais. O que eu fiz dessa metade não importa , o que interessa agora é o que eu vou fazer com a próxima metade.

Aos 20, eu via os 30 como um marco, algo distante, o ponto alto. O momento da realização plena, do sucesso profissional, do sucesso material. O ápice da vida. Quanto mais a data se aproximava, mais ela ganhava contornos assustadores. E se não for assim? E se não for o ponto máximo, o auge, o sucesso?

E quando os 30 finalmente chegaram, percebi que o significado de auge e sucesso mudaram. Muitos dos conceitos (e preconceitos) que se desenham aos 20, se desfazem mais tarde. Dão lugar a novas aspirações e a novos ideais, mais maduros e também mais independentes de julgamentos externos.

Aos 30 passei a apreciar muito mais o prazer da minha própria companhia. Estou ficando cada vez mais íntima de mim mesma. Refiro-me àquele tipo de intimidade que permite que duas pessoas fiquem por um longo período em silêncio, sem que isso incomode ou se torne constrangedor.

Aos 30 eu troco a noite de festa por um bom livro, perfeitamente à vontade com a decisão.

Aos 30 curto a vida voltando do trabalho numa noite qualquer e percebendo que o céu gelado está cheio de estrelas, e a lua nova brilha como nunca.

Aos 30 sei me olhar no espelho e gostar do que vejo, mesmo sem maquiagem.

Aos 30 sinto que vale mais a pena um ou dois amigos de verdade, do que dúzias de colegas.

Aos 30 aprendo todos os dias a viver o presente. Agora sinto, ás vezes pesadamente, que não dá para viver de passado, nem se alimentar sonhando com o futuro.

O aprendizado é infinito, não para nunca. Esta é, afinal, a essência do jogo: evoluir sempre.

Aos 30 é importante definir o que é evolução para VOCÊ, não para os outros. Buscar e encontrar qual é a melhor forma de aproveitar a SUA vida, de viver intensamente o SEU momento.

Porque outra coisa que estou aprendendo é que além de curta, a vida é MINHA e só EU posso saber o que é melhor para mim.

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2 respostas para “E de repente… 30.”

  1. Ameiiiii, lindo. Gosto muito mais de mim hoje, do que há vinte anos. Gosto mais em todos os sentidos: física e emocionalmente. Sou mais eu e também vivo essa intimidade com mais alegria comigo mesma. Beijos minha querida. Você está cada vez mais encantadora. Não concordo com apenas um detalhe: a expectativa de vida de 73 anos. Isso é generalizando, mas nós teremos bem mais, rss. Acredito viver mais de um século. Uma das minhas pessoas preferidas morreu semana passada, lúcida, linda, inteligente, com quase 109 anos.

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