A crise dos 4 meses

O post de hoje era para ser sobre a crise. Não a crise do Euro, porque estou muito egoísta pra escrever sobre o mundo, mas a minha crise. É, mais uma. O texto estava prontinho na minha cabeça. Acreditando que só dá para encarar a vida com humor, mesmo que seja humor negro, a ideia era deixar tudo um pouco engraçado. Para evitar o efeito melodramático das intermináveis reclamações eu ia começar falando que resolvi dar um nome para a crise: a crise dos quatro meses. Quatro meses de Irlanda. Porque crise que se preze tem que ter um nome pomposo. Ia falar de como tenho me sentido homesick – é uma palavra que define o sentimento de sentir saudades de casa, porque a língua inglesa não tem “saudades”, mas o português também não tem “homesick”. Sabe quando você pega a pauta e já consegue ver a reportagem pronta?
Só que a pauta caiu. No jargão jornalístico dizer que a pauta caiu quer dizer que a matéria não vai acontecer. Ou porque o assunto não vale mais, ou porque aconteceu algo mais importante, ou porque o entrevistado desmarcou. A pauta da crise caiu porque não tem mais crise. Isso mesmo, a crise estava só na minha cabeça.
Quando encaramos algum tipo de desafio ou obstáculo, é muito mais fácil vestir o personagem de vítima. Vítima das circunstâncias. Vitima da distância. Vítima da saudade. Vítima da falta de dinheiro. Não faltam culpados para os nossos problemas, e pior, desculpas para o comodismo de não enfrentá-los da forma necessária. Nas últimas semanas estava me tornando algo que sempre abominei: aquele tipo de pessoa que carrega o muro das lamentações nas costas.

Isso acontece porque às vezes é difícil reconhecer como somos responsáveis pela nossa própria vida e por tudo o que nos acontece, inclusive os problemas. Sim, é nossa culpa. Tudo, absolutamente tudo o que nós cerca é simplesmente o resultado das nossas escolhas. E somos livres para escolher.

Percebi que a minha já simpática crise dos 4 meses não passava de uma escolha errada para fugir dos desafios que eu mesma escolhi. O intercâmbio foi escolha minha. Ficar 12 meses longe do meu país foi minha decisão. Também optei por uma escola mais cara. Decidi morar longe do centro e com estrangeiros. Aceitei o trabalho que me propuseram aqui. Então, ora bolas, porque cargas d’água eu tenho que reclamar?

Foi preciso uma palestra num centro espírita para refrescar minha memoria e me ajudar a perceber que a forma com que encaro os problemas também é escolha minha. Olha só que poderosa eu sou: posso decidir o que fazer com a minha vida! Parece bobo, mas quantas vezes nos esquecemos disso? É preciso lembrar que temos o poder da nossa mente a nosso favor. Ou contra. Apenas eu posso decidir se vou enfrentar a saudade de casa chorando e praguejando ou me convencendo de que isso é temporário e faz parte do processo de aprendizado que escolhi para mim. Vou atravessar tudo isso inventando nome para as crises ou enxergando o lado bom de passar um ano inteiro da minha vida totalmente submersa numa cultura diferente?

Naquela pauta que caiu meu post iria encerrar dizendo que eu não sabia se essa crise era passageira ou iria marcar o início do fim da minha jornada em Dublin. Depois disso eu ia dizer que não tinha as respostas, por enquanto eram apenas milhares de perguntas, misturando fragmentos de inglês às sentenças em português na minha cabeça. Como a pauta é outra, encerro dizendo que já tenho sim algumas respostas. As perguntas ainda são muitas e cada resposta traz também uma nova dúvida. Mas a principal resposta eu já sabia, apenas havia esquecido: tudo depende de mim, e de mais nada.

P.S.: Acabo de perceber como os meus posts começam bem humorados e sempre terminam com cara de livro de autoajuda (nada contra, adoro livro de autoajuda!). Acho que esse é o significado mais literal da autoajuda, porque tenho a sensação de que escrevo autoajuda para mim mesma!

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One Comment on “A crise dos 4 meses”

  1. Jujuh disse:

    mto bom, adorei… concordo e assino embaixo =D


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