Da intensidade

Tanta coisa sobre o que comentar e tanta coisa sobre o que refletir, e deixei o tempo passar sem escrever. Talvez por isso a sensação de incompletude das últimas semanas.
Faltaram-me as letras que tanto me ajudam a botar em ordem os sentimentos e a organizar as ideias.
Quero escrever sobre a Irlanda. Quero escrever sobre o Brasil. Quero escrever sobre o mundo.
Quero falar sobre a língua. Sobre as pessoas. Sobre a diferenças. Sobre as semelhanças.
Ainda tem a cultura. Ainda tem a música. Ainda tem os livros, os filmes, a televisão.
E a comida? Os temperos? As texturas?
Cheiros também estão na pauta, outra vez. O cheiro de grama cortada é um deles.
O coração? Ah, um turbilhão de emoções. Por mais clichê que possa parecer, essa expressão é a que melhor se encaixa. As impressões e sensações se invertem o tempo todo.
É fácil embaralhar saudade com tristeza e rimar amor com dor, mas é difícil fazer rima para combinar frustração com aprendizado e depressão com sabedoria.
Há muito o que se falar sobre as escolhas, o dinheiro, o valor e a economia.
Há muito o que se falar sobre trabalho e dignidade.
É tanta coisa ao mesmo tempo, que ás vezes fica difícil distinguir tristeza de felicidade.
Claro que tem as fotos com casacos enormes e lenço no pescoço, e aquele ar meio blasè.
Mas também tem banheiros para limpar, chão para esfregar, centavos para contar.
Afinal, quantas frases em present perfect preciso falar para aprender? Muitas ainda…
Vou escrever sobre tudo, mas vai levar tempo.
Por hoje, apenas afirmo que a diversidade das experiências vividas aqui valem pelo aprendizado de quase uma vida. Tudo é intenso. Seja bom ou ruim, é sempre intenso. Forte.
Não existe generalização. Cada experiência é única e cada um tem sua própria medida de certo e errado.
Por isso me faltam palavras. Faltam começo, meio e fim para informações infinitas.
Talvez eu tente fazer poesia de novo. É, talvez poesia seja a saída para expressar a intensidade. Porque poesia não é escrita para ser entendida ou contestada, mas para ser sentida.
Assim como as impressões que ainda quero passar aqui. Quiçá a licença poética me permita ser lida, sem ser necessariamente compreendida. E ser lida, por enquanto, me basta.