Ninguém morre de amor…

Quando o amor vai embora, dói.

Dói pra caramba. Só quem já sofreu de amor sabe que é uma dor física. É tão amarga e cortante que parece fazer sangrar a pele e não só a alma.

Mas passa. Sempre passa. Não é um conselho, porque na hora das lágrimas, conselhos não fazem efeito. É apenas uma constatação mesmo.

Para alguns leva semanas. Outros se declaram curados depois de alguns meses. E ainda tem aqueles que passam anos tentando entender por que foram abandonados.

Para os que nunca se curaram eu explico: não é culpa do amor, é culpa sua! Porque o amor não foi feito para amargurar a vida. Ele foi feito para ensinar, para ser parte da evolução.

Às vezes a evolução pode ser não confiar mais no outro. Não acreditar mais no sentimento puro e simples. Construir uma muralha que impede a entrega e consequentemente a dor.

Mas e aí, no pain, no gain, certo?

Por isso eu acho que a verdadeira lição do coração quebrado demora um pouco a chegar. Pelo menos para mim demorou.

A lição não está na quebra da confiança, no abandono ou nos erros cometidos em relações passadas. A lição está na cura. Na recuperação.

Quando você percebe que está bem novamente, se dá conta do quão forte ficou.

Essa sensação ensina que se você superou uma vez, pode superar outra e outra e outra e quantas forem necessárias…

Porque amor é isso mesmo. Você perde ou você ganha, mas tem que jogar para saber.

Medo de me machucar outra vez? Não, não tenho. Agora eu sei que se a dor vier, ela não mata.

Dura o tempo que tiver durar, até que outro amor tome seu lugar…

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Tic-tac

Ainda pequena aprendeu que não podia confiar nele.
Ô cara chato. Nunca ajudava. Quando precisava de um pouco mais, ele era menos.
Já brincou bastante, hora de ir para casa, hora de tomar banho, hora de dormir… Por que raios ele passava tão rápido?
E muito pior era quando precisava que as coisas acelerassem. Ele atrasava tudo. Amanhã você vai, depois eu abro, semana que vem você brinca…
Cansava de esperar…
O mais cruel era o famoso “quando você crescer”.
Caramba, se amanhã demorava tanto para chegar imagina “quando você crescer”?
Já nem esperava, porque tinha certeza que não chegaria nunca!

Chegou. E como chegou rápido. Agora que ela não precisava mais de pressa.
Quando curou-se da primeira dor de amor, descobriu que ele era mesmo essencial…
Mesmo assim ainda não sabia como lidar com ele… Ele era teimoso.
Passava horas imaginando como ele seria se tivesse forma ou se fosse humano.
Seria uma criança? Ou um ancião?
Ficava imaginando como ele corria os ponteiros do relógio da vida só para brincar com ela. E como ele segurava com força os mesmos ponteiros quando ela queria que eles voassem! Devia gargalhar maldosamente quando ela checava as horas a cada dois minutos.

Até que um dia, muitos anos depois, ela conseguiu vê-lo.
Ele estava no espelho. E ela podia tocá-lo também.
Ele estava em seu rosto. Ao redor dos olhos, em finas linhas que ficavam mais evidentes quando ela sorria.
Foi então que ela percebeu. Ele poderia ter tanto a forma de uma criança, quando a forma das rugas que começavam a aparecer.
Tudo dependia da forma com que ela o encarava no espelho.
Talvez nunca iria saber ao certo como lidar com ele.
Por via das dúvidas, melhor comprar um bom creme antirrugas.


E só restou a esperança

Há um tempo eu escrevi um post comparando o Brasil com a Europa. Na verdade a ideia era dizer que é injusto comparar nosso país com os países europeus.

Em uma página de argumentação baseada em alguma pesquisa histórica eu tentava explicar porque estamos tão aquém do desenvolvimento europeu.

Eu falava que enquanto países da Europa vivenciavam a revolução industrial, o Brasil ainda nem tinha abolido a escravatura. Quando os trabalhadores europeus começaram a se rebelar contra as péssimas condições de trabalho nas indústrias, nosso país ainda era colônia de Portugal e vivia da exploração do café.

Falava também que os franceses derrubaram a Bastilha em 1789, e o Brasil ensaiava revoltas com Tiradentes.

Falava da educação. Um trecho que eu gostava era esse: “enquanto muita gente senta a bunda no MacBook para reclamar do Brasil no Facebook, a dona Maria da Silva sai de casa às 4 horas da manhã para chegar ao trabalho. Volta pelas 10 da noite, depois de ônibus e trens lotados. Ela está preocupada com os filhos e netos. Assim como a maioria do povo brasileiro, ela está preocupada em colocar comida na mesa. Você acha que ela está preocupada com o fraude no ministério das Minas e Energias? Não. Ela não está. Porque não tem consciência política? Não, ela não está preocupada porque não sabe o que é ministério, nem o que é minas e energia. Ela mal sabe para que serve um vereador, quanto mais um ministro. Ela não estudou, não tem como saber. “

Parte desta “defesa” veio de uma palestra que assisti em um seminário de comunicação, que falava sobre o aumento do poder de consumo da classe C. O palestrante, um publicitário baiano muito conhecido no meio, tentava explicar como o povo ganha poder de compra e vai ficando mais crítico aos poucos.

Eu estava revoltada com pessoas falando mal do meu país e dizendo como é melhor viver na Europa, mesmo com crise. Queria que dessem um tempo pro Brasil, sabe? Afinal a civilização europeia é pelo menos uns 500 anos mais antiga que a nossa.

No final percebi que a argumentação do tempo não funcionava. Por que nos Estados Unidos, embora eu não tenha pesquisado, acredito que as coisas funcionam bem melhor do que no Brasil, e eles são tão “novatos” no quesito civilização quanto nós!
Por isso nunca publiquei o artigo. Estava procurando mais argumentos a favor do Brasil.

Aí o Demóstenes foi cassado. Pensei “pode ser um bom argumento pra finalizar meu post!”. Tive a oportunidade de entrevistar o ex-senador em Goiás e posso afirmar que em menos de cinco minutos de entrevista ele provou (para mim) que é um canalha e que essa história de ser relator de CPI é só para posar de bonzinho e ferrar quem está no caminho dele.

Mas aí, o Demóstenes reassumiu o cargo de procurador de justiça no MP de Goiás.

E eu fiquei sem argumento outra vez.

Minha única defesa agora é a esperança. E sem qualquer explicação lógica, minha esperança é real e muito forte. Não me pergunte por que, mas eu acredito no Brasil. Ainda acredito. Acredito que um dia, quando eu não estiver mais nessa vida, as coisas vão mudar. Talvez nem meus netos poderão presenciar a mudança, mas eu sei que ela vai acontecer.

Porque perder a fé no Brasil é como a perder a fé no ser humano. E se tem algo que eu aprendi nos últimos meses é que nunca devemos perder a fé nas pessoas. Sigo acreditando… acreditando que um dia o meu povo finalmente irá erguer a bandeira verde e amarela, pintar a cara outra vez e dizer: “tenho orgulho de ser brasileiro!”.