Teria partido…

Hoje eu estaria voltando para o Brasil. Meu voo saiu cedo de Dublin, conexão em Amsterdã, depois São Paulo e por volta da meia-noite eu estaria chegando a Curitiba.

O avião partiu com meu assento vazio e um espaço a mais no bagageiro.

Há muito tempo planejo escrever um post para explicar o porquê de ficar. Só que alguns porquês aceitam apenas a resposta que criança não gosta: porque sim.

Não é uma decisão muito lógica. É uma escolha mais sentida do que pensada.

Não espero ser compreendia por quem aqui não está, pois eu mesma já incompreendi muito quando cheguei. Conhecia brasileiros que renovavam seus vistos para continuar na cidade fria e chuvosa, trabalhando como garçons e deixando expertises diversas de lado, ouvindo esse estranho sotaque irlandês. Não conseguia ver os motivos. Achava estranho. Talvez fossem muito infelizes no Brasil, ou não tivessem família. Talvez.

Hoje sou eu quem vence a saudade de casa para abraçar o inverno cinza de Dublin mais uma vez. Entendo agora que aqui não somos mais felizes, apenas somos felizes de uma forma diferente.

Agora o inesperado dará lugar à experiência: o segundo inverno, o segundo Natal, o segundo St. Patricks Day.

A vontade de ficar veio depois dos primeiros árduos seis meses. A adaptação é necessária. À língua, aos hábitos, ao clima, às pessoas, à comida. Foi bem de repente, quando um dia, em vez de contar há quanto tempo eu estava aqui, contei quanto tempo faltava para ir embora.  Aí bateu o desespero. Seis meses? Cinco meses? É pouco. Pouco para o tamanho do amor que tinha crescido dentro de mim. Amor pela Irlanda e por Dublin, sim. Mas amor também por mim mesma, pelo novo, pelo desafio, pela mudança, pelo inesperado.

Se sinto saudades? Muitas. Todos os dias. A falta que sinto da minha família é das mais doídas.

Só que muita coisa me espera aqui em Dublin. Muita coisa que ainda não alcancei, mas estou perto. Muito mais coisas para aprender a gostar.

Hoje encontrei o anel no meu pedaço de Brack, um pão de frutas parecido com o panetone, tradicional no Halloween irlandês. O doce é assado com um anel dentro que diz a lenda, traz sorte a quem o encontra.

Deve ser um sinal de que a sorte estará ao meu lado mais uma vez, como esteve durante cada pequena conquista que realizei até agora.

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One Comment on “Teria partido…”

  1. Karina Miguel disse:

    Por que sim, é exatamente isso. Lindo amiga, que a sorte nos acompanhe sempre 🙂


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