Contando carneirinhos

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Depois que feijão, bacon e sangue de porco se tornam comuns no café da manhã, você acha que nada mais surpreende.

Engana-se. No interior da Irlanda, feijão e bacon vêm acompanhados de violino, canções folclóricas e uma hospitalidade que poucos lugares no mundo podem oferecer.

Além dos cenários em que os olhos custam a acreditar e os ouvidos completam com o berro das ovelhas, o encanto da Irlanda está nos irlandeses.

O pagamento da hospedagem? Não, esse fica pra depois. Por hora vamos apenas conversar sobre a vida e sobre o café da manhã do dia seguinte.

A poucos meses da minha volta tenho a chance, ou o privilégio, de conhecer a essência do país onde vivo há mais de um ano.

Não a urbanidade, mas a paz e a quietude das fazendas. A tranquilidade dos pubs mais tradicionais, coloridos em rosa, azul, verde e amarelo. Como as portas de Dublin são as cidades do interior.

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Em cada lugar a forte sensação de estar entre amigos, hospedada na casa de um parente distante.

Parente que empurra o carro sem bateria enquanto, despreocupadamente, as hóspedes servem-se no café da manhã.

Parente que canta músicas da infância no interior. Talvez com mais amor do que afinação, já que toda família tem um cantor de voz duvidosa.

Quem mais serviria um lanche ao cair da noite e acenderia a lareira da sala para uma confortável sessão de bate-papo? Duvido que um gerente de hotel faça.

A natureza é um capítulo a parte na terra onde termina o arco-íris. As praias, os lagos, as montanhas, os penhascos. O colorido pitoresco compensa as estradas estreitas e o carro corre suave pela pista esquerda.

Os cenários se dividem entre o verde e o cinza das construções milenares em pedra. Castelos e fortes medievais deixam claro que a Irlanda é uma senhora que merece respeito.

A cada parada, durante uma semana, conhecemos uma história diferente, um carinho diferente, uma paisagem exuberante.

Lembranças que, misturadas às centenas de fotos, eu vou levar para uma vida de saudade.

Sim, já sinto saudade da Irlanda mesmo sem ter ido embora.

E sei bem que sentirei falta do sotaque carregado por todos os dias da minha vida.

Hoje não tenho dúvidas de que essa pequena ilha fria e carente de sol é mesmo mágica. Os celtas e suas crenças estavam certos.  Porque não há outra forma de explicar tanta beleza e tanto calor a uma temperatura que não vai muito além dos 20º C.

Bastou uma semana de férias pelo interior da Irlanda e eu já posso dizer que acredito em Leprechauns.

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